O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
Que esperais, esperança? Desespero.
Quem disso a causa foi? Üma mudança.
Vós, vida, como estais? Sem esperança.
Que dizeis, coração? Que muito quero.
Que sentis, alma, vós? Que amor é fero.
E enfim, como viveis? Sem confiança.
Quem vos sustenta, logo? Üma lembrança.
E só nela esperais? Só nela espero.
Em que podeis parar? Nisto em que estou.
E em que estais vós? Em acabar a vida.
E tende-lo por bem? Amor o quer.
Quem vos obriga assim? Saber quem sou.
E quem sois? Quem de todo está rendida.
A quem rendida estais? A um só querer.
Luís de Camões
sábado, 24 de julho de 2010
Coragem
SE
Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida
Se és capaz de manter tua calma, quando,
todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
De crer em ti quando estão todos duvidando,
e para esses no entanto achar uma desculpa.
Se és capaz de esperar sem te desesperares,
ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
e não parecer bom demais, nem pretensioso.
Se és capaz de pensar - sem que a isso só te atires,
de sonhar - sem fazer dos sonhos teus senhores.
Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
tratar da mesma forma a esses dois impostores.
Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
em armadilhas as verdades que disseste
E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
e refazê-las com o bem pouco que te reste.
Se és capaz de arriscar numa única parada,
tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
resignado, tornar ao ponto de partida.
De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
a dar seja o que for que neles ainda existe.
E a persistir assim quando, exausto, contudo,
resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
e, entre Reis, não perder a naturalidade.
E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
se a todos podes ser de alguma utilidade.
Se és capaz de dar, segundo por segundo,
ao minuto fatal todo valor e brilho.
Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
e - o que ainda é muito mais - és um Homem, meu filho!
Rudyard Kipling
Tradução de Guilherme de Almeida
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Férias!

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.
O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa
terça-feira, 6 de julho de 2010
Mariana

Mariana
Eu vou pra ver Mariana,
Mariana sorrir e dançar
Mariana brincando na vida, to correndo pra lá
E vou levando a sanfona, mode a gente cantar
Ei garota, pirritota, Mariana, Mariana
Ei garota, pirritota, Mariana, Mariana
Chegue aqui minha bichinha, chegue mais amor
Dê um cheiro bem cheiroso aqui no seu forrô
Mas se o forrô ganhou um cheiro, também quero ganhar
Vem garota, pirritota, Mariana, Mariana
Eu vou pra ver Mariana,
Mariana sorrir e dançar
Mariana brincando na vida, to correndo pra lá
E vou levando a sanfona, mode a gente cantar
Ei garota, pirritota, Mariana, Mariana
Ei garota, pirritota, Mariana, Mariana
Chegue aqui minha bichinha, chegue mais amor
Dê um cheiro bem cheiroso aqui no seu forrô
Mas se o forrô ganhou um cheiro, também quero ganhar
Vem garota, pirritota, Mariana, Mariana
Luíz Gonzaga
sábado, 3 de julho de 2010
Ela Desatinou

Ela Desatinou
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
Ela não vê que toda gente
Já está sofrendo normalmente
Toda cidade anda esquecida
Da falsa vida da avenida onde
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Ela desatinou
Viu morrer alegrias
Rasgar fantasias
Os dias sem sol raiando
E ela inda está sambando
Quem não inveja a infeliz
Feliz no seu mundo de cetim
Assim debochando
Da dor, do pecado
Do tempo perdido
Do jogo acabado
Ela desatinou
Viu chegar quarta-feira
Acabar brincadeira
Bandeiras se desmanchando
E ela inda está sambando
Chico Buarque
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Valsa Brasileira
http://www.youtube.com/watch?v=cfPzbYem8fg
Valsa Brasileira
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Edu Lobo / Chico Buarque
Valsa Brasileira
Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer
Edu Lobo / Chico Buarque
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Alguém me disse
"Quelqu'un M'a Dit
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux"
Carla Bruni
"Alguém Me Disse
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz seus investimentos
No entanto alguém me disse...
Que você ainda me amava,
Foi alguém que me disse que você ainda me amava.
Seria possível então?
Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
Mas quem me disse que você ainda me amava?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu disse a você'
Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me amava, disseram-me isso de verdade...
Que você ainda me amava, Seria isto possível então?
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a seus investimentos."
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses.
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos chagrins il s'en fait des manteaux
Pourtant quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore,
C'est quelqu'un qui m'a dit que tu m'aimais encore.
Serais ce possible alors ?
On dit que le destin se moque bien de nous
Qu'il ne nous donne rien et qu'il nous promet tout
Parait qu'le bonheur est à portée de main,
Alors on tend la main et on se retrouve fou
Mais qui est ce qui m'a dit que toujours tu m'aimais?
Je ne me souviens plus c'était tard dans la nuit,
J'entend encore la voix, mais je ne vois plus les traits
"il vous aime, c'est secret, lui dites pas que j'vous l'ai dit"
Tu vois quelqu'un m'a dit
Que tu m'aimais encore, me l'a t'on vraiment dit...
Que tu m'aimais encore, serais ce possible alors ?
On me dit que nos vies ne valent pas grand chose,
Elles passent en un instant comme fanent les roses
On me dit que le temps qui glisse est un salaud
Que de nos tristesses il s'en fait des manteaux"
Carla Bruni
"Alguém Me Disse
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que desliza é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz seus investimentos
No entanto alguém me disse...
Que você ainda me amava,
Foi alguém que me disse que você ainda me amava.
Seria possível então?
Disseram-me que o destino debocha de nós
Que não nos dá nada e nos promete tudo
Faz parecer que a felicidade está ao alcance das mãos,
Então a gente estende a mão e se descobre louco
Mas quem me disse que você ainda me amava?
Eu não recordo mais, já era tarde da noite,
Eu ainda ouço a voz, mas eu não vejo mais seus traços
'ele ama você, isso é segredo, não diga a ele que eu disse a você'
Sabe, alguém me disse...
Que você ainda me amava, disseram-me isso de verdade...
Que você ainda me amava, Seria isto possível então?
Disseram-me que as nossas vidas não valem grande coisa,
Elas passam em instantes como murcham as rosas.
Disseram-me que o tempo que se vai é um bastardo
Que das nossas tristezas ele faz a seus investimentos."
segunda-feira, 21 de junho de 2010
Amanhã de Manhã

Menina, Amanhã de Manhã
Menina , amanhã de manhã
Quando a gente acordar quero te dizer
Que a felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Na hora ninguém escapa
De baixo da cama ninguém se esconde
A felicidade vai desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Vai, desabar sobre os homens
Menina, ela mete medo
Menina, ela fecha a roda
Menina, não tem saída
de cima, de banda ou de lado
Menina, olhe pra frente
menina, todo cuidado
Não queira dormir no ponto
Segure o jogo, atenção de manhã
Menina a felicidade
É cheia de praça, é cheia de traça
É cheia de lata, é cheia de graça
Menina, a felicidade
É cheia de pano, é cheia de peno
É cheia de sino, é cheia de sono
Menina, a felicidade é cheia de ano,
É cheia de eno
É cheia de hino, é cheia de onu
Menina, a felicidade
É cheia de an, é cheia de en
É cheia de in, é cheia de on
Menina, a felicidade é cheia de a,
É cheia de é, é cheia de i, é cheia de ó
Tom Zé
sábado, 19 de junho de 2010
É inútil cantar o que perdi...
Pois é
Pois é!
Fica o dito e o redito
Por não dito
E é difícil dizer
Que foi bonito
É inútil cantar
O que perdi...
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Prá quem só lhe foi
Dedicação
Pois é!
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Prá quem só lhe foi
Dedicação
Pois é! Então!
Chico Buarque
Pois é!
Fica o dito e o redito
Por não dito
E é difícil dizer
Que foi bonito
É inútil cantar
O que perdi...
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Prá quem só lhe foi
Dedicação
Pois é!
Taí!
Nosso mais-que-perfeito
Está desfeito
O que me parecia
Tão direito
Caiu desse jeito
Sem perdão...
Então!
Disfarçar minha dor
Eu não consigo dizer:
Somos sempre bons amigos
É muita mentira para mim...
Enfim!
Hoje na solidão
Ainda custo
A entender como o amor
Foi tão injusto
Prá quem só lhe foi
Dedicação
Pois é! Então!
Chico Buarque
Basta Um Dia

Basta Um Dia
Pra mim
Basta um dia
Não mais que um dia
Um meio dia
Me dá
Só um dia
E eu faço desatar
A minha fantasia
Só um
Belo dia
Pois se jura, se esconjura
Se ama e se tortura
Se tritura, se atura e se cura
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Só um
Santo dia
Pois se beija, se maltrata
Se como e se mata
Se arremata, se acata e se trata
A dor
Na orgia
Da luz do dia
É só
O que eu pedia, viu
Um dia pra aplacar
Minha agonia
Toda a sangria
Todo o veneno
De um pequeno dia
Chico Buarque
porque hoje é aniversário do Chico, e eu queria pelo menos um dia com ele rsss
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Dói no coração
domingo, 13 de junho de 2010
nem metade daquilo que você sonhou

Samba do Irajá
Tenho impressa no meu rosto
E, no peito, o lado oposto ao direito
Uma saudade...que saudade!
Sensação de na verdade
Não ter sido nem metade
Daquilo que você sonhou
São caminhos, são esquemas
Descaminhos e problemas
É o rochedo contra o mar
É isso aí, ê Irajá
Meu samba é a única coisa
que eu posso te dar
Saudade veio à sombra da mangueira
Sentou na espreguiçadeira
E pegou num violão
Cantou a moda do caranguejo
Estendeu a mão prum beijo
E me deu opinião(opinião, opinião)
Depois, tomou um gole de abrideira
Foi sumindo na poeira
Para nunca mais voltar
É isso aí, ê Irajá
Meu samba é a única coisa
que eu posso te dar
Nei Lopes
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Tudo Pela Metade

Tudo Pela Metade
Eu admiro o que não presta
Eu escravizo quem eu gosto
Eu não entendo
Eu trago o lixo para dentro.
Eu abro a porta para estranhos
Eu cumprimento
Eu quero aquilo que não tenho
Eu tenho tanto a fazer
Eu faço tudo pela metade
Eu não não percebo
Eu falo muito palavrão
Eu falo muito mal
Eu falo muito mesmo sem saber o que estou falando
Eu falo muito bem, eu minto.
Marisa Monte E Nando Reis
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Eu Não Peço Desculpa

Eu Não Peço Desculpa
Eu não peço desculpa
E nem peço perdão
Não,não é minha culpa
Essa minha obsessão
Já não agüento mais
Ver o meu coração
Como um vermelho balão
Rolando e sangrando,
Chutado pelo chão
Psicótico,
Neurótico,
Todo errado...
Só porque eu quero alguém
Que fique vinte e quatro horas do meu lado
No meu coração, eternamente colado...
Jorge Mautiner
Pra mim é tudo ou nunca mais...
domingo, 6 de junho de 2010
Sua Menina
Sua Menina

Você trata muito mal sua menina
Um dia ela vai puxar o carro
De sua barba mal feita, seu catarro
Um dia ela vai encher o saco
Você trata muito mal sua princesa
Um dia ela vai virar a mesa
Seu olhar só vê o seu umbigo
Um dia ela vai ficar comigo
Você olha para ela com desprezo
Como um déspota destrata uma empregada
Das grades do orgulho onde está preso
Você maltrata a sua namorada
Seu terno engomado, seu perfume
Seu tédio, seu remédio digestivo
Seu eterno pesadelo de ciúme
Um dia desses ela vai te dar motivo
E ficar comigo
E ficar comigo
E ficar comigo sim
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo só
Você trata muito mal sua pequena
Um dia ela vai sair de cena
E o remorso vai te torturar sem pena
Quando a vir ao meu lado no cinema
Você trata muito mal o seu amor
Não rega com carinho a sua flor
Depois de ver o que você já fez
Com certeza ela vai sumir de vez
Vai sumir comigo
Vai fugir comigo
Vai sumir comigo sim
E ficar comigo
E ficar comigo
E ficar comigo só
Só ficar comigo
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo sim
Vai ficar comigo
Ficar só comigo
E você vai ficar só
Arnaldo Antunes, Liminha e Paulo Miklos

Você trata muito mal sua menina
Um dia ela vai puxar o carro
De sua barba mal feita, seu catarro
Um dia ela vai encher o saco
Você trata muito mal sua princesa
Um dia ela vai virar a mesa
Seu olhar só vê o seu umbigo
Um dia ela vai ficar comigo
Você olha para ela com desprezo
Como um déspota destrata uma empregada
Das grades do orgulho onde está preso
Você maltrata a sua namorada
Seu terno engomado, seu perfume
Seu tédio, seu remédio digestivo
Seu eterno pesadelo de ciúme
Um dia desses ela vai te dar motivo
E ficar comigo
E ficar comigo
E ficar comigo sim
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo só
Você trata muito mal sua pequena
Um dia ela vai sair de cena
E o remorso vai te torturar sem pena
Quando a vir ao meu lado no cinema
Você trata muito mal o seu amor
Não rega com carinho a sua flor
Depois de ver o que você já fez
Com certeza ela vai sumir de vez
Vai sumir comigo
Vai fugir comigo
Vai sumir comigo sim
E ficar comigo
E ficar comigo
E ficar comigo só
Só ficar comigo
Vai ficar comigo
Vai ficar comigo sim
Vai ficar comigo
Ficar só comigo
E você vai ficar só
Arnaldo Antunes, Liminha e Paulo Miklos
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Mais Simples
Mais Simples
É sobre-humano amar
'cê sabe muito bem
É sobre-humano amar, sentir,
Doer, gozar
Ser feliz
Vê que sou eu quem te diz
Não fique triste assim
É soberano e está em ti querer até
Muito mais
A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?
Mas deixa tudo e me chama
Eu gosto de te ter
Como se já não fosse a coisa mais humana
Esquecer
É sobre-humano viver
E como não seria
Sinto que fiz esta canção em parceria
Com você
A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?
José Miguel Winisk
É sobre-humano amar
'cê sabe muito bem
É sobre-humano amar, sentir,
Doer, gozar
Ser feliz
Vê que sou eu quem te diz
Não fique triste assim
É soberano e está em ti querer até
Muito mais
A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?
Mas deixa tudo e me chama
Eu gosto de te ter
Como se já não fosse a coisa mais humana
Esquecer
É sobre-humano viver
E como não seria
Sinto que fiz esta canção em parceria
Com você
A vida leva e traz
A vida faz e refaz
Será que quer achar
Sua expressão mais simples?
José Miguel Winisk
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Altar Particular
Altar Particular
Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor
Maria Gadú
Meu bem que hoje me pede pra apagar a luz
E pôs meu frágil coração na cruz
No teu penoso altar particular
Sei lá, a tua ausência me causou o caos
No breu de hoje eu sinto que
O tempo da cura tornou a tristeza normal
E então, tu tome tento com meu coração
Não deixe ele vir na solidão
Encabulado por voltar a sós
Depois, que o que é confuso te deixar sorrir
Tu me devolva o que tirou daqui
Que o meu peito se abre e desata os nós
Se enfim, você um dia resolver mudar
Tirar meu pobre coração do altar
Me devolver, como se deve ser
Ou então, dizer que dele resolveu cuidar
Tirar da cruz e o canonizar
Digo faço melhor do que lhe parecer
Teu cais deve ficar em algum lugar assim
Tão longe quanto eu possa ver de mim
Onde ancoraste teu veleiro em flor
Sem mais, a vida vai passando no vazio
Estou com tudo a flutuar no rio esperando a resposta ao que chamo de amor
Maria Gadú
terça-feira, 1 de junho de 2010
Vende-se Sonhos
Vende-se Sonhos
Costura-se e borda-se.
Gazeia-se e imobiliza-se.
Cobre-se botões,
vende-se ovos e carvão.
Ensina-se inglês.
Dá-se aulas de violão.
Vende-se roupa usada.
Ensina-se particular:
matemática, supletivo.
Vende costura no Ceará
Aluga-se uma casa.
Fornece-se marmita.
Há uma vaga no quarto
em casa de família.
Aceita-se encomendas
de bolo e salgadinhos,
para aniversário e casamento.
Não vejo, creio que não há,
não encontro, é inútil procurar
o anúncio vende-se sonhos.
Não duvido daqui uns dias:
Vende-se sonhos!
Pedro Raimundo, Luiz Galvão E Jorginho Gomes
Costura-se e borda-se.
Gazeia-se e imobiliza-se.
Cobre-se botões,
vende-se ovos e carvão.
Ensina-se inglês.
Dá-se aulas de violão.
Vende-se roupa usada.
Ensina-se particular:
matemática, supletivo.
Vende costura no Ceará
Aluga-se uma casa.
Fornece-se marmita.
Há uma vaga no quarto
em casa de família.
Aceita-se encomendas
de bolo e salgadinhos,
para aniversário e casamento.
Não vejo, creio que não há,
não encontro, é inútil procurar
o anúncio vende-se sonhos.
Não duvido daqui uns dias:
Vende-se sonhos!
Pedro Raimundo, Luiz Galvão E Jorginho Gomes
sábado, 29 de maio de 2010
O agora e o infinito
É o Que Me Interessa
Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo
E transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado
Só de quem me interessa
Às vezes é um instante
A tarde faz silêncio
O vento sopra a meu favor
Às vezes eu pressinto
E é como uma saudade
De um tempo que ainda não passou
Me traz o seu sossego
Atrasa o meu relógio
Acalma a minha pressa
Me dá sua palavra
Sussurra em meu ouvido
Só o que me interessa
A lógica do vento
O caos do pensamento
A paz na solidão
A órbita do tempo
A pausa do retrato
A voz da intuição
A curva do universo
A fórmula do acaso
O alcance da promessa
O salto do desejo
O agora e o infinito
Só o que me interessa.
Lenine
sexta-feira, 28 de maio de 2010
A minha condição

Essa é a primeira vez que vou postar com minhas próprias palavras, copiadas, reproduzidas e recriadas, como minha criação e transformação que resulta em uma pessoa flexível e aberta a novas opiniões. Acredito no amor, acredito que ele acalma, amansa, preenche e produz a sensação de se estar completo. Acredito nas cicatrizes do amor, os erros e machucados que já aconteceram e marcaram tanto, e que são rasgados na nossa alma para sempre, ainda bem! Essencial para se buscar um amor. Quando se ama alguém, pelo menos da forma como eu amo e já amei, minha sensatez se desfaz. Como leonina, estar submissa é insuportável e como romântica, mimar e melar são minhas especialidades. Sempre fui completamente amada por todos à minha volta, entre família e amigos não lembro de sequer um inimigo. E assim, aprendi a amar também. Aprendi nas fossas da vida à não amar quem não me ama. Mas já tive amores platônicos. Amigas são o que mais tive na vida. Devo muito à elas todas, mesmo aquelas que não fazem mais parte dos meus dias. Tanta histórias, tanto chorar, tanto aprontar e cair na risada, um pouco antes de cair em consciência e aguentar a bronca. Mas sempre estávamos lá uma para a outra, trocando amor e carinho. Carinho é importante. Carinho é preliminar, é a brasa necessária para que a o amor nunca se apague. Carinho é algo que se troca, que pode durar horas, dias, e até a vida inteira, desde poucas palavras até o abraço mais apertado que você já recebeu. Ao contrário do que muitos dizem, brigas não acendem paixões, daquelas que se resolvem na cama. Brigas estragam, brigas brocham, destroem o carinho e o sonho. E quando se tornam frequentes cansam, tiram a segurança, aumentam o orgulho que é o maior aliado da solidão. Nessa hora as cicatrizes antigas dóem, como um alerta ao sofrimento. Até que ponto a solidão vale a pena? Até que ponto conseguimos lutar contra o sofrimento numa relação? Será que Tom Jobim tinha razão em dizer que é impossível ser feliz sozinho? Ou será que Arnaldo Antunes em Satisfeito, é mais feliz? Talvez por ser rodeada de carinho que me tornei uma pessoa intolerante à sua falta, por mínima que seja. Carência é humilhante. Implorar carinho é humilhante. Ser mais por mim, ser melhor, oferecendo carinho para quem tem à dar em troca, só pela troca, porque amor incondicional entre humanos para mim não existe. Essa é a minha condição.
Assinar:
Postagens (Atom)

